|
Leia,
a seguir, depoimentos publicados na primeira ReviSPA:
“A Semana de Artes Visuais tem o importante
papel de criar espaço para debate, avaliação,
integração, descentralização
cultural e estabelecimento de um diálogo maior e
mais profundo sobre a produção de artes visuais
no Brasil. O evento se insere em um contexto maior da política
cultural da Prefeitura do Recife, onde queremos não
apenas fazer, mas ter espaços para reflexão,
discussão e crítica do processo da produção
cultural. Buscamos investir em programas que promovam a
descentralização e a ampliação
do circuito artístico, para que estrutura e informação
cheguem a um público mais variado possível,
seja através das intervenções urbanas,
colocando a arte nos espaços públicos em contato
direto com as pessoas que circulam na cidade, seja promovendo
o encontro do público com os artistas, debatendo
suas obras, propostas, idéias e conceitos da arte
e do seu papel no mundo contemporâneo. Iniciativas
como a Semana de Artes Visuais são caminhos abertos
para que novas relações entre o público
e a arte se estabeleçam” .
João Roberto Peixe ¦ Designer, secretário
de Cultura do Recife
“Se a gente pensar na cidade como
uma geografia. Se a gente pensar na cidade como oportunidade:
diversas, inversas, milhares, ao mesmo tempo. Se a gente
pensar na cidade, Recife, de tradição fortíssima
de artes plásticas. Se a gente pensar em vanguardas,
modernos, contemporâneos, paisagistas, universitários,
autodidatas, quadrados e redondos, madamas e periféricos,
grafitentes e resistentes. Se a gente pensar na necessidade
de alguma articulação entre tantos. Se a gente
pensar em cadastro, diálogo, possibilidades. Se a
gente pensa em momentos especiais de cultivo de algumas
atitudes. Se agente pensar em espaço. Se a gente
pensar em circuito e mapa. Possivelmente conclua SPA”.
Fernando Duarte ¦ Artista plástico,
presidente da Fundação de Cultura Cidade do
Recife, idealizador e coordenador do SPA de 2002 a 2004.
“Um encontro de pessoas voltadas para
as Artes Visuais. Os pensamentos, atitudes, desejos, projetos,
sentimentos, dúvidas. Palavras trocadas como diálogos
para compreender melhor o nosso momento contemporâneo.
Obras de arte nas ruas, infantes artistas à procura
do povo, do olhar atento que procura compreender as linguagens.
Definimos a nossa maneira de aproximarmos os artistas, as
obras e os observadores”.
Rinaldo José da Silva ¦ Artista plástico,
idealizador e coordenador geral do SPA de 2002 a 2004.
“O SPA nasceu da carência de
espaços expositivos no Recife, da pobreza de iniciativas
que revelem a diversidade de propostas em artes visuais
da cidade e da grande necessidade de realizar algo que fosse
na contramão da tendência de restringir o artista
aos pólos de consagração, situação
que se tornou hegemônica no circuito de arte, nos
últimos dez anos em todo Brasil. Necessitávamos
de alguma ação concreta capaz de potencializar
as iniciativas não institucionais dos grupos de arte
e dos artistas que produzem sem estarem inseridos nos grandes
esquemas acadêmicos e institucionais. Queríamos
restabelecer, ao menos por uma semana, o movimento sem recortes
no qual os artistas e o público pudessem ter a noção
da diversidade de propostas existentes nesta cidade, trocar
a lente objetiva pela grande angular”.
Mauricio Castro ¦ Artista plástico,
idealizador e coordenador do SPA de 2002 a 2005.
“Ao pensar um evento relacionado às
artes visuais, procuramos realizar uma série de ações
que achamos de importância dentro do cenário
local. A idéia de um período definido, uma
semana, com um grande número de atividades, desde
a discussão, produção, divulgação,
intercâmbio e ensino. Parecia um excesso, mas o SPA
é isso: uma semana concentrada, agitada e intensa
que, concluída, a cidade passou por uma grande maratona
de reflexão sobre arte”.
José Paulo ¦ Artista plástico,
idealizado e coordenador do SPA de 2002 a 2005.
“A Semana de Artes Visuais do Recife
- SPA, desde sua criação, vem desenvolvendo
ações que buscam estabelecer uma lógica
diferenciada dos modelos vigentes, trabalhando para ampliar
os espaços institucionalizados e descentralizar suas
ações, permitindo que a cada edição
participe um número maior de artistas e profissionais
afins, seja através da programação
oficial ou divulgando atividades independentes, publicadas
no Mapa das Artes, dando visibilidade ao potencial artístico
da cidade e aos serviços que complementam o circuito
das artes visuais (galerias, lojas de materiais, ateliês).
O SPA, como a arte, é inquieto, mutante, não
respeita e não aceita fórmulas perenes, modelos
estagnados, fechados e necessita constantemente se renovar.
Foi assim quando se propôs a fortalecer o debate e
a formação do artista, em suas duas primeiras
edições. Aconteceram os encontros, possibilitando
a troca de experiências e vivências, os Papo
de Artista. Esses, eram aprofundados nas palestras, que
permitiram o encontro de artistas, críticos, curadores
e o público, discutindo e adensando as questões
pertinentes às artes visuais, suas fortalezas e contradições,
principalmente no campo da arte contemporânea, que
ainda causa tanto estranhamento e discussões apaixonadas.
Em sua terceira edição, o SPA transmutou-se,
estabelecendo como prioridade o apoio aos artistas, criando
um concurso de prêmios de estímulo à
produção, através da concessão
de 40 prêmios para intervenções urbanas,
as Semanadas SPA l Intervenções Urbanas e
cinco prêmios para a realização de oficinas,
as Semanadas SPA l Oficinas, além de preservar os
debates e o caráter formador que norteiam o conceito
do SPA”.
Fernando Augusto ¦ Artista plástico,
diretor de gestão de equipamentos culturais da Fundação
de Cultura Cidade do Recife.
“Numa cidade tão prenhe de
idéias quanto carente de espaços públicos
onde elas possam confrontar-se criticamente, o SPA se apresenta,
a cada ano, como uma plataforma mutante de onde se enunciam
e se realizam projetos artísticos os mais distintos.
Funciona, assim, como um ativador de contatos entre pessoas
e instituições que, embora partilhem projetos
e desejos, quase nunca se aproximam o bastante para discutir
os seus conteúdos e os meios possíveis para
realizá-los”.
Moacir dos Anjos ¦ Curador, diretor do Museu de Arte
Moderna Aloísio Magalhães e parceiro do SPA.
“Considero os ciclos de debates ancorados
na Fundação Joaquim Nabuco um dos pontos principais
da Semana de Artes Visuais. Concomitante ao fomento de ações
e a ênfase na formação, há o
espaço para que a cidade entre em contato com o pensamento
de figuras importantes do cenário cultural e artístico
brasileiro, alargando, portanto, o entendimento de nosso
contexto histórico. Fazer circular idéias
e propiciar trocas são vertentes de ação
essenciais para as instituições que atuam
na contemporaneidade, esse terreno de intensa elasticidade,
recriação e interfaces”.
Cristiana Tejo ¦ Coordenadora de Artes Plásticas
da Fundação Joaquim Nabuco e parceira do SPA.
|